sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Agosto – Mês da Visibilidade Lésbica / 2009

http://www.feminismo.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=132:agosto-mes-da-visibilidade-lesbica-2009&catid=3:eventos


Qui, 20 de Agosto de 2009 18:31 Administradora

A 5ª Caminhada Lésbica de Brasília, organizada por Coturno de Vênus e Sapataria, porta este ano o lema “Paradas não conquistamos nada”. Terá inicio às 14h30, com concentração no estacionamento da “Torre de TV”. O evento reúne cerca de cinco mil pessoas por ano com o objetivo de visibilizar as lésbicas, suas demandas e direitos.

Informações: casaroxa@coturnodevenus.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Confira a programação e participe!

Sex, 28 de agosto
FESTA DA VISIBILIDADE LÉSBICA
Espaço Galeria - Conic, a partir das 23h
Dj's Dona da Boca / She-ha e Xena / Holybitches / Nanda Linhares / Lara Luz / Jane e Renatinha

Sab, 29 de agosto
5ª Parada Caminhada Lésbica de Brasília.
Concentração: Estacionamento sul da Torre de TV, a partir das 14h30.
Encerramento na Praça Zumbi dos Palmares (Conic), com shows de: Ellen Oléria / Beatriz Águida / Michelle Lara / Electro Domesticks / BSB Gilrs / Kris Maciel
Clique aqui para ver programação completa.

Articulação das Mulheres Brasileiras no 29 de agosto – Dia da Visibilidade Lésbica

No mês de agosto, em todo o país, organizações, grupos, movimentos e ONGs de lésbicas estão organizando e realizando atividades para marcar o 29 de agosto – Dia da Visibilidade Lésbica.

A AMB, em sua Carta de Princípios, afirma seu compromisso com a luta pela liberdade e autonomia sexual das mulheres e contra a norma patriarcal da heterossexualidade e a lesbofobia.

A AMB se posiciona por uma práxis feminista voltada para a transformação social, que articule o enfrentamento à política neoliberal, ao patriarcado, ao racismo e à homo-lesbofobia.

Por isto, este ano, o Comitê Político Nacional da AMB decidiu pela elaboração de uma Agenda Política para este mês, mobilizando os agrupamentos estaduais integrantes da AMB a se engajarem na organização de atividades, apoiando as organizações de mulheres lésbicas em todos os estados.

Saudações e bons debates!
Secretaria Executiva Nacional da AMB

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Seminário discute protagonismo feminino nos territórios rurais

Qua, 19 de Agosto de 2009 08:07
Da Agência Brasil

Brasília - A Jornada das Margaridas, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), promove, de hoje (19) a sexta-feira (21), o seminário nacional Protagonismo das Mulheres nos Territórios Rurais.

A abertura será às 11h, no Bay Park, em Brasília, com a participação de representantes da Contag, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Às 14h, haverá mesa de debates sobre desenvolvimento rural sustentável e solidário, a política da territorialidade e o protagonismo das trabalhadoras rurais. Em seguida, a mesa será a respeito das políticas públicas para as trabalhadoras rurais e sua efetivação nos territórios rurais.


Edição: Graça Adjuto

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Participação das mulheres negras na política é tema de seminário

http://www.direitoshumanos.etc.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3639:participacao-das-mulheres-negras-na-politica-e-tema-de-seminario&catid=16:racismo&Itemid=167


Qua, 12 de Agosto de 2009 20:28

As mulheres cada vez mais assumem o papel de chefes de família, aumentam sua escolaridade e ampliam a participação no mercado de trabalho. No entanto, ainda recebem menores salários e acumulam a maioria das tarefas domésticas. Esta realidade é apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e se soma a outro dado preocupante: apesar de formarem a maior parcela do eleitorado (51,7% em 2008), elas não ocupam na mesma proporção os espaços institucionais da vida política nacional. No caso das mulheres negras a diferença é ainda mais acentuada.

Esta realidade estará em debate no Seminário Empoderamento das Mulheres Negras e Participação Política, que será realizado de 13 a 15 de agosto, no Airan Hotel (SHN quadra 5, bl. A, subsolo), em Brasília.

A solenidade de abertura, às 18h da próxima quinta-feira, contará com a presença do ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, e da ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire. Ambas as secretarias são parceiras nesta iniciativa, que conta com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O objetivo do seminário é promover o diálogo entre mulheres negras vinculadas a partidos políticos e militantes das várias articulações nacionais do movimento social, com a expectativa de reunir 150 participantes de todo o país. A inserção da temática racial e de gênero na agenda política leva em conta as diretrizes do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e do Plano Nacional de Promoção de Igualdade Racial.

Os painéis, debates e grupos de trabalho colocarão em pauta vários aspectos do conceito de empoderamento, que passou a ser empregado na década de 1960, nos Estados Unidos, pelos movimentos negros que reivindicavam direitos civis. Na prática, empoderar significa dar voz e visibilidade às minorias sociais, para que tenham capacidade de ação e decisão individual e coletiva sobre temas que afetam diretamente suas vidas. É um processo que implica em elevação da auto-estima e pensamento crítico.

Confira a programação do Seminário:

13/08 (quinta-feira)

18h: Solenidade de Abertura
- Edson Santos, ministro da Igualdade Racial/SEPPIR
- Nilcea Freire, ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres/SPM
- Kim Bolduc, representante da Organização das Nações Unidas e do PNUD no Brasil
- Fátima Cleide, senadora ( PT- RO)
- Janete Pietá, deputada (PT- SP), representante da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial

Coordenação: Martvs das Chagas, subsecretário de Políticas de Ações Afirmativas (SubAA) da SEPPIR

19h - Painel "As Ações Afirmativas e a construção do Empoderamento de Mulheres Negras", com Sueli Carneiro, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo e Diretora do GÉLEDES Instituto da Mulher Negra.


14/08 (sexta-feira)
Das 9h às 11h - Painel "Organização contemporânea das mulheres negras"
- Matilde Ribeiro, doutoranda em Serviço Social, ativista do movimento feminista e do movimento de mulheres negras, ex-ministra da SEPPIR
- Creusa Maria Oliveira, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos (FENATRAD) e integrante do Conselho Estadual da Mulher da Bahia
- Ana José Lopes, coordenadora do Fórum Nacional de Mulheres Negras
- Lucia Xavier , secretária executiva da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras
- Aurina Oliveira Santana, reitora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia

Coordenação: Maria do Carmo Ferreira da Silva, coordenadora do Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial
Das 14h às 16h- Painel "Organização Partidária e Mecanismos de empoderamento"
- Maria Cristina de Almeida, vereadora de Macapá (AP) pelo PSB e secretária nacional do Movimento Negro do PSB
- Olívia Santana, vereadora de Salvador (BA) pelo PC do B, ativista do movimento feminista e do movimento negro
- Edialeda S. Nascimento, presidente da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT
- Maria Rosalina Santos, vereadora de Queimada Nova (PI) pelo PT e integrante da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ)
- Íris Araújo, deputada federal (PMDB/GO) e presidente nacional do PMDB
- Maria Aparecida da Silva Abreu, secretária nacional de Combate ao Racismo do PT
- Benedita da Silva, secretária de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro
Coordenação : Ivonete Carvalho, diretora de programas da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SubCom) da SEPPIR

15/08 (sábado)
Das 9h às 10h45 - Painel "Comunicação e Políticas de Promoção de Igualdade Racial"
- Jacira Silva, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e representante da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira DF)
- Maurício Pestana, publicitário e cartunista, presidente do Conselho Editorial da Revista RAÇA BRASIL
- Viviane Ferreira, graduada em Cinema Digital pela Escola Livre de Cinema e coordenadora de formação e produção do Grupo Mulheres de ODUN

Coordenação: Manuela Pinho, subsecretária da Planejamento da SEPPIR

Das 10h30 às 12h - Debate

Das 14h às 17h - Grupos de trabalho

Coordenação GT 1: Oraida Abreu, secretaria executiva do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade racial (CNPIR)

Coordenação GT 2 : Eloá Kátia, assessora técnica SubAA

Coordenação GT 3: Bárbara Oliveira Souza, gerente de projetos da SubCom

Das 17h30 às 19h30 - Plenária
Coordenação: Valéria de Oliveira, gerente da SubAA

Coordenação de Comunicação Social
Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial

Presidência da República
Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º andar - 70.054-906 - Brasília (DF)
Telefone: (61) 3411-3659

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mulheres: Mudar estereótipos é o mais necessário

http://www.direitoshumanos.etc.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3355:mulheres-mudar-estereotipos-e-o-mais-necessario&catid=35:direitos-humanos&Itemid=170


Mulheres: Mudar estereótipos é o mais necessário
Sex, 31 de Julho de 2009 18:55
Por Henry Parr, da IPS


Nações Unidas, 31/07/2009 – Para exercerem seus direitos, é preciso mudar a imagem negativa das mulheres em algumas sociedades, disse à IPS Naela Gabr, presidente do Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Cedaw). Especialistas deste órgão vinculado à Organização das Nações Unidas avaliarão até 7 de agosto a situação dos direitos femininos em 11 países. O processo analisa o cumprimento dos compromissos contraídos pelos Estados no contexto da Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (1979) e sugere mecanismos para melhorar essa tarefa.


Os 11 países estudados este ano são Argentina, Azerbaijão, Butão, Dinamarca, Espanha, Guiné-Bissau, Japão, Laos, Libéria, Suíça, Timor Leste e Tuvalu.

A IPS conversou Gabr, de nacionalidade egípcia, sobre o processo e os desafios para a consagração da igualdade das mulheres.

IPS- Pode resumir o processo de avaliação que acontece desde 20 deste mês?

Naela Gabr - Avaliamos os aspectos legais: como um país organiza suas leis para que sejam coerentes com o texto e o espírito da Convenção. E avaliamos os aspectos práticos, de implementação, a operacionalidade: os serviços sociais básicos, a saúde, educação, emprego, situação das mulheres rurais, etc.

Outro fator importante é a análise dos estereótipos, pois são o ponto de partida. Se alguns países e algumas sociedades não mudam suas práticas tradicionais nocivas à imagem negativa que as mulheres têm dentro delas, a população feminina não poderá exercer seus direitos. Claro que as coisas estão evoluindo. A globalização introduziu uma causa muito importante (e mais nova): o tráfico humano, que se converteu em um de nossos principais pontos de análise.

IPS- A senhora enfatizou a discriminação contra as mulheres mais velhas e as consequências econômicas do divórcio. Por que agora surgem essas questões como parte do debate?

NG- Com os avanços da medicina, as mulheres conseguem viver mais em muitas sociedades. As mais velhas são mais vulneráveis porque dependem da pensão dos homens. Às vezes, ficam sem recursos financeiros quando enviúvam. Mulheres radicadas em áreas rurais de muitas regiões do mundo não podem herdar, nem de suas famílias de origem nem de seus maridos.


Claro que nas sociedades modernas as mulheres possuem mais oportunidades de trabalhar e ter empregos excelentes. Mas, às vezes optam por cuidar dos filhos, da família, ou da carreira do marido. A esposa de um diplomata, por exemplo, não pode desenvolver uma carreira se acompanhar o marido em suas transferências. Se algum dia o marido decidir abandoná-la, em que situação ficará?

IPS- O Comitê avalia países industriais, como a Suíça, e Timor Leste, ainda em desenvolvimento, com situações econômicas muito diferentes. Mas, há alguma região do mundo onde os direitos femininos não sejam um problema?

NG- Não, não creio. Toda sociedade tem seus problemas e particularidades. O que se constata é uma flutuação.

IPS- Por que acredita que um punhado de países ainda resista em ratificar a Convenção?

NG- Está claro que se deve a situações internas. Esses países precisam, antes de tudo, de um debate social interno. Quando há organizações não-governamentais, pode-se despertar a consciência da sociedade. Elas podem pressionar os países para que ratifiquem a Convenção.

IPS- A religião desestimula as autoridades dos países a ratificá-la?

NG- VEja os Estados Unidos (que assinou a Convenção mas não ratificou), ou o Irã e o Sudão (que nem mesmo assinaram). A Somália (que tampouco assinou) tem uma situação especial, porque ali ainda há dificuldades, mas o problema principal hoje é do Irã, dos Estados Unidos e do Sudão. Estudei a questão religiosa, inclusive em meu país, que é muçulmano. Vamos nos fixar nos 57 países da Organização das Nações Unidas da Conferência Islâmica. A maioria deles ratificou a Convenção, menos dois ou três. O mais recente, que o fez há pouco, é o Qatar. Alguns a ratificaram sem reservas, outros com muitas, e alguns com menos. Depende da interpretação do texto e da religião.

Mas, eu, como muçulmana, não vejo nenhuma contradição em um país islâmico aderir à Convenção. Pelo contrário, o Islã é muito vanguardista na matéria. O Islã habilita uma mulher manter seu próprio sobrenome e sua independência financeira, a trabalhar. O Islã não exige o uso do véu, mas uma vestimenta decente. Admite que as mulheres participem plenamente da sociedade, e que inclusive lutem em uma guerra.

IPS- A senhora considera que o Cedaw “é um dos organismos de controle de tratados de maior êxito”. Como medir isto, e a que o atribui?

NG- À adesão, naturalmente. Somos o número dois em matéria de direitos de meninos e meninas, de visibilidade da Convenção na sociedade, e em como os países respondem à nossa interação. A maioria deles vem a nós com muitos êxitos e atuam em conformidade com nossas recomendações. A partir disto posso detectar e avaliar o grau de progresso.

IPS- Então, a senhora acredita que os direitos femininos tiveram um avanço mundial considerável?

NG- Sim, naturalmente. Isso é inegável. Mas, ao mesmo tempo, no mundo moderno surgem dificuldades. Por exemplo, o uso e mau uso das mulheres na publicidade, como se fossem objeto, ou mediante a nudez. É degradante. Infelizmente, surgem novas formas de discriminação, mas no panorama mundial as coisas melhoram. E aqui estamos, detectando as novas dificuldades. IPS/Envolverde


(Envolverde/IPS)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Criminalização total do aborto aumenta mortes de mulheres e meninas grávidas

Fonte:

Adital - O número de mortes entre mulheres e meninas grávidas na Nicarágua aumentou neste ano. Segundo informações da Anistia Internacional, neste ano, 33 gestantes já morreram, enquanto que, no mesmo período do ano passado, o número não passou de 20. Para a organização, o crescimento do índice de mortalidade materna no país está diretamente relacionado com o Novo Código Penal da Nicarágua, em vigor desde o ano passado.

De acordo com o relatório divulgado na última segunda-feira (27) pela Anistia Internacional - "A proibição total do aborto na Nicarágua: A vida e a saúde das mulheres em perigo; os profissionais da medicina criminalizados" -, o Novo Código Penal proíbe totalmente a prática do aborto no país. Tal medida não só criminaliza os profissionais da saúde que praticam o aborto em qualquer situação, mas também contribui com o aumento da mortalidade materna.

"Na Nicarágua, o aborto é um delito em qualquer circunstância. O Novo Código Penal, que entrou em vigor em 2008, prevê longas penas de prisão para as mulheres e as meninas que solicitem ou consigam um aborto e para os profissionais da saúde que proporcionem serviços de aborto e atenção obstétrica necessária para salvar vidas e preservar a saúde da paciente", apresenta o relatório.

Segundo o estudo, o atual Código viola os direitos humanos das mulheres e meninas grávidas, incluindo o direito delas à saúde. "Procedimentos médicos que são recomendados como boas práticas e salvam a vida de milhares de mulheres e meninas na Nicarágua agora são ilegais", comenta. A Anistia explica que, na maioria das vezes, quando surgem complicações durante o período da gravidez, os médicos trabalham para manter a gestação e, quando esta coloca em perigo a vida da mãe, a intervenção profissional é realizada para garantir a vida da genitora.

Entretanto, a atual lei representa uma regressão nos direitos das mulheres no país. Para a Anistia Internacional, "a proibição total do aborto é uma grave violação das obrigações da Nicarágua de proteger, respeitar e tornar real os direitos humanos das mulheres e das meninas em virtude de sua Constituição e dos tratados internacionais nos quais o Estado faz parte".

De acordo com o relatório, a criminalização total do aborto ainda prejudica a própria gestação, pois deixa as mulheres que têm complicações na gravidez receosas de até mesmo procurar ajuda médica: "Segundo os médicos e as mulheres entrevistas pela Anistia Internacional, o temor de serem acusadas de abordo induzido também pode dissuadir as mulheres que experimentam dificuldades na gravidez de buscar atenção médica", afirma.

Dessa forma, a Anistia Internacional pede às autoridades nicaraguenses que derroguem a lei que proíbe o aborto em todos os casos e solicitam às autoridades que garantam serviços de abortos seguros e acessíveis às vítimas de violação sexual e cuja saúde materna está em risco. Além disso, pede que o Estado proteja a liberdade de expressão dos que são contrários à nova lei e ofereça apoio às mulheres e meninas afetadas por ela.

O relatório completo está disponível no site: amnesty.org/es

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uruguai: Estereótipos de gênero vão além dos computadores

Por Cristina Canoura, da IPS

Montevidéu, 27/07/2009 – As alunas da escola Villa García, a 21 quilômetros do centro da capital do Uruguai, continuam brincando de boneca ou de escolher a roupa das modelos, só que agora isso é feito em computadores portáteis. Muitas delas, quando saírem deste centro de educação primária encravado em um setor com grandes carências econômicas, vão demorar pouco para terem o primeiro filho, apenas adolescentes, como aconteceu com suas mães e tias.

Esta escola foi a pioneira dos anos 70 em uma educação integradora e igualitária, mas, como a maioria das escolas, sofreu um retrocesso em matéria de igualdade de gênero e agora, de maneira quase inadvertida, perpetua os estereótipos que pré-determinam os papéis de mulheres e homens.

Villa García foi a primeira da área metropolitana a receber os computadores do Plano Ceibal (Conectividade Educacional de Informática Básica para o Aprendizado On Line), que busca impulsionar a igualdade digital e a democratização do conhecimento.

Seus alunos fazem parte da metade das meninas e meninos que vivem abaixo da linha de pobreza no Uruguai, país com 3,4 milhões de habitantes, 52% mulheres.

A inovadora iniciativa do presidente Tabaré Vázquez pretende que cada aluno e professor do Uruguai tenha um computador e toma emprestado o nome do ceibo, a árvore da flor nacional.

Mas, seus conteúdos não incluíram a questão de gênero e quando é dado aos alunos experimentarem os computadores, os meninos buscam jogos considerados próprios de seu sexo e as meninas procuram que roupa vestir em suas bonecas ou selecionar roupas de atrizes e modelos, disseram à IPS as jovens professoras Adriana Font e Karen Souza.

Carmen Beramendi, diretora do Instituto Nacional das Mulheres (Inmujeres), informou à IPS que esse organismo e o Laboratório Tecnológico do Uruguai, que centraliza o Plano Ceibal, trabalham para sanar essa carência no projeto.

Para isso se projeta um videogame e um folheto-historieta voltados a “apresentar os papéis de gênero existentes dentro da família, brincar com outros e promover a coresponsabilidade familiar na distribuição das tarefas, com base na igualdade de gênero e na reflexão sobre os estereótipos”, explicou.

Até agora,o Plano Ceibal entregou 200 mil computadores portáteis, em um processo que começou em 2007 pelas áreas rurais e urbanas mais pobres, para alcançar no final deste ano toda a população escolar. Cada unidade sai por US$ 220 e o custo total do projeto será de US$ 100 milhões, financiados integralmente pelo Estado.

No Uruguai, o ensino inicial começa aos três anos, a primária aos seis e a média aos 12, e ,o ensino é obrigatório dos quatro aos 15 anos.

As professoras Font e Souza decidiram por contra própria enfrentar os estereótipos de seus alunos, ao lhes mostrar outro olhar sobre sua realidade. Para isso se capacitaram em cursos de organizações não-governamentais, já que não há formação sobre essa área na docência.

Juan Morales, diretor de Villa García, onde trabalham 38 professoras e quatro professores, reconheceu que a escola “não tem uma política dirigida a mudar os papéis pautados” emmateria de gênero, porque não é visto “como um tema problemático”.

Ceca de 60% dos estudantes de Font e Souza têm idades superiores às estipuladas para seu nível escolar. Por isso, a maioria é quase de adolescentes entre 13 e 15 anos.

Ao falar do futuro, seus alunos repetem papeis tradicionais. A maioria dos meninos diz que optará por uma carreira técnica, como mecânica, e as meninas aspiram, sobretudo, se cabeleireiras.

As famílias também reforçam as diferenças de gênero. Quando há atividade fora do horário de aula ou passeios em grupo, as alunas participam menos porque os país preferem que fiquem em casa, cuidando dos irmãos menores e das tarefas domésticas.

As duas docentes se esforçam para mostrar às suas alunas “que existem outras possibilidades de vida” nos âmbitos do trabalho e familiar. São meninas que não saem muito do bairro e conhecem o mundo através da peneira ditorciva da televisão. “Veem muitas telenovelas e esperam que, com nelas, venha um príncipe e as leve” disse Karen Souza.

Os preconceitos são tão fortes que “com frequência as meninas trazem bilhetes pedindo para não fazerem educação física porque estão menstruando, contou a professora. Quando vão a acampamentos, as mães pede para não deixá-las lavar a cabeça ou brincar, e se trata de mulheres que tem quase sempre menos de 30 anos.

Para reverter estes padrões, Font e Souza concordam que a escola deve realizar um trabalho permanente, baseado na consciência de gênero de professores e professoras.

Planos com gênero

E algo está mudando nesse sentido no Uruguai. Em março deste ano entrou em vigor um programa educativo que inclui todo o ciclo inicial e primário e onde pela primeira vez se inclui a questão de gênero como desafio ético.

O plano estabelece que “os alunos são sujeitos de direito e o direito à educação deve garantir o acesso de todos a uma cultura geral e plural”.

Sob esta premissa, na área do Conhecimento Social inclui-se em cada nível o capitulo “Construção de Cidadania”, onde é abordada a identidade de gênero.

Os papeis dentro das escolas, a construção social do masculino e do feminino, os papeis na família, os estereótipos sociais e as tradições, a igualdade e a discriminação e a mulher e o homem no trabalho são alguns temas do programas.

Também fala dos estereótipos publicitários, a mulher e o homem através da história, a identidade de gênero e a construção da sexualidade como parte do projeto de vida.

Este programa tem seu antecedente no Primeiro Plano Nacional de Igualdade de Oportunidades e Direitos, de 2007, que desenvolve ações educativas para combater os estereótipos e promover a igualdade.

Essas medidas foram acordadas entre Inmujeres e a Administração Nacional de Educação Pública.

Carmen Beramendi, a diretora do Inmujeres, informou que esta cooperação produziu uma Rede de Gênero dentro do sistema educacional que tem entre suas metas “a revisão dos conteúdos sexistas dos textos” de todos os currículos escolares.

Também, desde 2007, são realizadas ações educativas no Dia da Não-Violência Contra a Mulher e também no Dia Internacional da Mulher, para promover a reflexão de meninos e meninas.

Entre elas, foram distribuídos em mais de duas mil escolas uruguaias cartazes com a inscrição “Viver sem violência é muito bom” e folhetos a favor dos direitos das mulheres da coresponsabilidade no cuidado da família.

Os impressos continham uma historieta onde o pai faz as tarefas domésticas para que a mãe participe de atividades comemorativas da mulher.

Em novembro passado foram realizadas as Segundas Jornadas de Educação e Gênero no ciclo inicial, das quais participaram 650 educadores de menores de cinco anos, que receberam o manual formativo “Primeiros Passos”, junto com um guia operacional.

Além disso, docentes especialmente capacitados começarão este ano a dar educação sexual em todos os cursos do primário e secundário.

Beramendi disse que “aumenta a avidez por estes temas”, mas falta muito para poder modificar os papéis.

“O sistema educacional aceita mais a violência masculina. Se uma mãe reage com violência a alguma agressão é vista com um peso diferente do seu companheiro”, citou com exemplo.
Outro exemplo: “Se um aluno ou aluna vai mal continua-se chamando a mãe para conversar, o que reforça o sinal de que é a única responsável por seu ‘fracasso’ ou má conduta”, disse Beramendi.

A diretora do Inmujeres assegurou que entre os docentes aumenta a consciência de que é preciso renovar o olhar e incorporar a perspectiva de gênero. Mas, reconheceu que ainda “está muito longe a instalação de uma nova prática como algo substantivo e permanente” nas escolas uruguaias. IPS/Envolverde


(Envolverde/IPS)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Somos “desaforadas” e precisamos continuar a sê-lo!

Iáris Ramalho Cortês*

“Tudo parece ousado para quem nada se atreve”
(Fernando Pessoa)

Não nos causa estranheza o conselho do Presidente Luiz Inácio a nós mulheres, no dia Internacional da Mulher, para não sermos “desaforadas” e não começarmos a “pensar logo na Presidência da República”.

Este conselho, longe de ser uma “brincadeirinha carinhosa” como foi classificada por algumas pessoas vinculada ao Governo, é uma idéia consciente ou inconsciente que existe na maioria das mentes brasileiras.

Nós, mulheres, temos sido “desaforadas” quando lutamos para ter o direito de votar e ser votada, fomos “desaforadas” quando quisemos entrar no mercado de trabalho, fomos “desaforadas” quando lutamos por 120 dias de licença maternidade, fomos “desaforadas” quando quisemos deixar de ser “colaboradoras” dos maridos no casamento, eliminando a figura do “chefe da sociedade conjugal”, fomos “desaforadas” quando quisemos ter os mesmos direitos dos pais perante nossos filhos, fomos “desaforadas” quando apoiamos a Lei de Cotas para as Mulheres na Política.

Continuamos sendo “desaforadas” quando, ainda, lutamos por direitos tais como: não sermos discriminadas no trabalho com salários inferiores aos dos homens; não sermos violentadas, assediadas, maltratadas, estupradas. Continuamos a ser “desaforadas” quando bradamos que somos donas de nossos corpos, podendo fazer uso dele para a procriação ou simplesmente para o prazer. Somos “desaforadas” quando não admitimos que pessoas e instituições sejam comandantes de nossos úteros, para dizer quando devemos ou não reproduzir, criminalizando e condenando o aborto consentido.

Precisamos ser mais “desaforadas” para conseguirmos aumentar o número de nossas participantes no Congresso Nacional (hoje 55 mulheres e 539 homens) no Supremo Tribunal Federal (1 ministra e 10 ministros), no Superior Tribunal de Justiça (3 mulheres e 29 homens) no Tribunal Superior do Trabalho (1 mulher e 16 homens) e no Superior Tribunal Militar onde nenhuma mulher aparece entre seus ministros. Nunca tivemos uma mulher como Procuradora Geral da República. Queremos também aumentar o número de governadoras. Nas 27 Unidades da Federação temos apenas 2 mulheres governando. Junto com os 926 deputados estaduais, temos apenas 133 deputadas e, enquanto contamos 45.245 vereadores homens, contamos apenas 6.555 vereadoras. Nos 5.562 municípios temos apenas 418 prefeitas e por aí a fora deparamos com diferenças similares. No Poder Executivo do “Governo Democrático e Popular”, que foi o que mais prestigiou as mulheres em seu alto escalão, temos apenas 4 ministras em 35 postos.

Além de “desaforadas” precisamos ser mais apressadas para que os homens se conscientizem para dividir o poder com as mulheres. Só assim poderemos fazer o que almejamos com nossas mentes e nossos corações, aliados à nossa competência. Até agora temos sido consideradas competentes apenas para o terceiro e quarto escalão do poder, como assessoras, secretárias, juízas de primeira instância ou vices de executivos, verdadeiras “carregadoras do piano” desta máquina que decide e executa o destino do Brasil.

O que almejamos é uma melhor distribuição das riquezas, maiores oportunidade de trabalho para homens e mulheres, repartição das tarefas domésticas e o cuidado com crianças, familiares idosos, pessoas com deficiência e doentes; políticas públicas realmente implementadas, com equipamentos sociais como creches, lavanderias e refeitórios públicos; sem programas caridosos com formato de esmolas; eliminação da corrupção; maior e melhor ensino público profissionalizante e integral para nossas crianças e adolescentes; sistema penitenciário re-educativo e humanizado; ausência de violência; trânsito mais humanizado e uma saúde pública universal e integral, sem tantas mortes durante e pós-parto, por aborto ou HIV/Aids.

Para isto, precisamos sim, sermos mais “desaforadas” e apressadas em chegarmos aos diversos poderes do Estado, inclusive e principalmente à Presidência da República. Nossos queridos companheiros, os homens, que ajudamos a ali chegar, e continuamos a contribuir para que desenvolvam seus papéis, já provaram e continuam provando que mudar é uma palavra difícil para ser vivenciada por eles. O patriarcalismo e a continuidade da hierarquia vertical aproximam os atuais ocupantes do poder aos antigos comandantes, ditadores, imperadores, príncipes e reis.

Portanto: Viva nossos “desaforos” e continuemos “desaforadas”, pois “desaforo”, para além do sentido pejorativo que geralmente lhe é dado, é também e sobretudo, atrevimento, irreverência, imprudência, insolência, todos os adjetivos e atos necessários para se fazer uma verdadeira revolução de valores, costumes e ações para, finalmente, podermos mudar a nossa realidade e construirmos uma democracia radical e paritária.

Brasília, 09 de março de 2005.

* Iáris Ramalho Cortês, advogada e Assessora Técnica do CFEMEA.

 
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